quarta-feira, 17 de abril de 2013

A Ponte


entre o agora e o agora,
entre o que sou e o que és,
a palavra ponte.

entrando nela
entras em ti:
a palavra liga
e fecha como um anel.

de um banco ao outro
há sempre
um corpo longo:
um arco-íris.
dormirei sob as suas cores.

Octavio Paz Lozano (Cidade do México, 31 de Março de 1914 — Cidade do México, 19 de Abril de 1998) foi um poeta, ensaísta, tradutor e diplomata mexicano, notabilizado, principalmente, por seu trabalho prático e teórico no campo da poesia moderna ou de vanguarda. Recebeu o Nobel de Literatura de 1990. Escritor prolífico cuja obra abarcou vários géneros, é considerado um dos maiores escritores do século XX e um dos grandes poetas hispânicos de todos os tempos.









domingo, 14 de abril de 2013

Hitler - A premonição de um massacre? / The premonition of a massacre?


Esta imagem está na capa da edição do Diário de Lisboa do dia 14 de Abril de 1933 - há exactamente 80 anos. É, na minha opinião, impressionante, tendo em conta que Hitler apenas chegou ao poder na Alemanha no dia 30 de Janeiro de 1933. Parece uma premonição dos crimes que iriam ser cometidos nos anos seguintes por Hitler (e seu regime) - o Holocausto.

This image is in the cover of the Diário de Lisboa edition of April 14, 1933 - exactly 80 years ago. It is, in my opinion, impressive, considering that Hitler only came to power in Germany in January 30, 1933. It seems a premonition of the crimes that would be committed in subsequent years by Hitler (and his regime) - the Holocaust.



A Luz / The Light



terça-feira, 12 de março de 2013

"Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!"


"Ah, todo o cais é uma saudade de pedra!
E quando o navio larga do cais
E se repara de repente que se abriu um espaço
Entre o cais e o navio,
Vem-me, não sei porquê, uma angústia recente,
Uma névoa de sentimentos de tristeza
Que brilha ao sol das minhas angústias relvadas
Como a primeira janela onde a madrugada bate,
E me envolve com uma recordação duma outra pessoa
Que fosse misteriosamente minha."

in Ode Marítima, Álvaro de Campos (Fernando Pessoa)


sexta-feira, 1 de março de 2013

No teu poema...


"No teu poema
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida

No teu poema existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E, aberta, uma varanda para o mundo.

Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora da Agonia
E o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria.

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem falha.

No teu poema
Existe um canto, chão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano

Existe um rio
O canto em vozes juntas, vozes certas
Canção de uma só letra
E um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas

Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco, a raiva e a luta de quem cai
Ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte.

No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do muro
Existe tudo o mais que ainda escapa
E um verso em branco à espera de futuro."

(de José Luís Tinoco)

"My God, My God" by Hannah Szenes



Hannah Szenes foi poeta e dramaturga, escrevendo tanto em húngaro como em hebraico.

Este é um dos seus mais conhecidos poemas e chama-se Halikha LeKesariya ("Uma caminhada para Cesareia"), comummente conhecido como Eli, Eli ("Meu Deus, Meu Deus"), e foi escrito durante o cativeiro Nazi.

A melodia, bem conhecida, foi composta por David Zahavi. Muitos cantores têm cantado esta melodia, inclusive Ofra Haza, Regina Spektor, e Sophie Milman, tendo sido usada para fechar algumas versões do filme "A Lista de Schindler":

"Meu Deus, Meu Deus, eu rezo para que estas coisas nunca acabem,
A areia e o mar,
O rumor das águas,
A luz dos céus,
A oração do homem."

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

On accepting you as you are by Johann Wolfgang von Goethe


“If I accept you as you are, I will make you worse; however if I treat you as though you are what you are capable of becoming, I help you become that”

Johann Wolfgang von Goethe (1749-1832)



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

"ORTOGRAFIA - O argumento da uniformização…"


"A ortografia é um fenómeno da cultura, e portanto um fenómeno espiritual. O Estado nada tem com o espírito. O Estado não tem direito a compelir-me, em matéria estranha ao Estado, a escrever numa ortografia que repugno, como não tem direito a impor-me uma religião que não aceito."

s.d.
Pessoa Inédito. Fernando Pessoa. (Orientação, coordenação e prefácio de Teresa Rita Lopes). Lisboa: Livros Horizonte, 1993. - 119.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Há 90 anos como hoje...



Diário de Lisboa, 15 de Janeiro de 1923

Contemplo o lago mudo



Contemplo o lago mudo
Que uma brisa estremece.
Não sei se penso em tudo
Ou se tudo me esquece.

O lago nada me diz.
Não sinto a brisa mexê-lo.
Não sei se sou feliz
Nem se desejo sê-lo.

Trémulos vincos risonhos
Na água adormecida.
Por que fiz eu dos sonhos
A minha única vida?

4-8-1930

Poesias. Fernando Pessoa. (Nota explicativa de João Gaspar Simões e Luiz de Montalvor.) Lisboa: Ática, 1942 (15ª ed. 1995). - 122.

sábado, 2 de fevereiro de 2013

Obra de Fernando Pessoa


Aqui vos deixo o link para um interessante site: o "Arquivo Pessoa".

"A base de dados Arquivo Pessoa e o portal MultiPessoa são uma actualização de um cd-rom intitulado MultiPessoa — Labirinto Multimedia, dirigido por Leonor Areal e co-editado em 1997 pela Texto Editora e a Casa Fernando Pessoa."


Como é sabido, a obra de Fernando Pessoa é constituída por inúmeros textos, dispersos uns, organizados outros pelo próprio autor, a maior parte inéditos à data da sua morte. No entanto, a obra possui uma enorme coerência baseada na construção de um universo ficcional ou dramático, cujos intervenientes se assumem como heterónimos — personalidades literárias diferentes entre si. A dificuldade em compreender a obra de F.P. está em ele não ser um só autor, mas «toda uma literatura».


quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

São João Bosco



Faz hoje 125 anos que morreu São João Bosco.

“Se queres fazer-te bom pratica apenas três coisas e tudo andará bem. Ei-las: alegria, estudo e piedade.”
(São João Bosco)

O Cardeal-Rei



Faz hoje 501 anos que nasceu o Cardeal-Rei. Curiosamente, faz hoje 433 anos que morreu o Cardeal-Rei.
"D. Henrique I de Portugal (31 de janeiro de 1512 — Almeirim, 31 de janeiro de 1580) foi o décimo-sétimo Rei de Portugal, tendo governado entre 1578 e a sua morte, 1580. Ocasionalmente é chamado de D. Henrique II por alguns autores, em virtude de ser o segundo chefe de estado de Portugal chamado Henrique, tendo-se em linha de conta o Conde D. Henrique, por aqueles chamado de D. Henrique I. É conhecido pelos cognomes de O Casto(devido à sua função eclesiástica, que o impediu de ter descendência legítima), O Cardeal-Rei (igualmente por ser eclesiástico) ou O Eborense / O de Évora (por ter sido também arcebispo daquela cidade e aí ter passado muito tempo, e inclusivamente fundado a primeira Universidade de Évora, entregue à guarda dos Jesuítas), transformando Évora num pólo cultural importante, acolhendo alguns vultos da cultura de então: Nicolau Clenardo,André de Resende, Pedro Nunes, António Barbosa, entre outros."
(Wikipedia)

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Fabergé - "Pedro, o Grande"


Um ovo Fabergé com cerca de 110 anos... Uma peça soberba!



"Pedro, o Grande é uma jóia produzida em 1903 sob a supervisão do joalheiro russo Peter Carl Fabergé para o czar Nicolau II, que a deu de presente à sua esposa, Alexandra Feodorovna. Feito em estilo rococó, o ovo comemora duzentos anos da fundação de São Petersburgo (1703).
O ovo contém inscrições em superfícies esmaltadas e é feito de ouro com curvas em relevo preenchidas por rubis e diamantes. Quando aberto, um mecanismo eleva uma miniatura de ouro do monumento a Pedro, o Grande, apoiado por uma pedra de safira."
(Wikipedia)


São Tomás de Aquino


Hoje comemora-se a memória de São Tomás de Aquino (1125-1274). Faz hoje 644 anos que o seu corpo foi trasladado para Tolosa, no dia 28 de Janeiro de 1369.


“Dá-me, Senhor, agudeza para entender, capacidade para reter, método e faculdade para aprender, subtileza para interpretar, graça e abundância para falar. Dá-me, Senhor, acerto ao começar, direção ao progredir e perfeição ao concluir.”
(São Tomás de Aquino)

sábado, 26 de janeiro de 2013

Torre Eiffel


Faz hoje 126 anos que se iniciou a construção da Torre Eiffel, em Paris.



"Quanto mais alto se sobe, mais longe é o horizonte."

Vergílio António Ferreira

O outro grande terramoto de Lisboa: 482 anos depois


Em plena época dourada dos Descobrimentos, a 26 de Janeiro de 1531, Lisboa tremeu com a força de um sismo de magnitude entre 7 e 8, na escala de Richter, com epicentro na zona de Santarém e Vila Franca. As suas consequências foram tão desastrosas como o de 1755, com a diferença de que desta vez não houve um maremoto a ajudar à destruição.

Segundo Alexandra Vidal, o terramoto de 1531 “não ficou nada a dever ao de 1755, apenas é menos conhecido porque os testemunhos que existem revelam que de facto existiu um terramoto a 26 de Janeiro de 1531 mas não há descrições pormenorizadas como o de 1755”.

A este respeito, escreveu Garcia de Resende:

«Todos com medo que haviam
deixaram casas, fazendas;
nos campos, praças dormiam
em tendilhões e em tendas,
casas de ramas faziam;
as mais noites velando,
temendo e receando;
porque tremor não cessava;
a gente pasmada andava
com medo, morte esperando».


O Fantasma da Ópera - 25 anos


Faz hoje 25 anos que, no dia 
26 de janeiro de 1988, estreou o musical "The Phantom of the Opera", com música de Andrew Lloyd Webber, letras de Charles Hart e Richard Stiloge e encenação de Harold Prince.

Nessa primeira noite, Michael Crawford interpretava a personagem do Fantasma. A inocente Christine era interpretada por uma então jovem soprano, Sarah Brightman.




segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Luís XVI

Faz hoje 220 anos que foi executado o Luís XVI, Rei de França, um dos acontecimentos mais marcantes da Revolução Francesa.